No dia do leitor

Depois de uma conversa com minha mulher decidimos que este escrito era necessário. Tantas outras coisas deixei passar, e algumas ainda falho em ceder, esta – como diz a expressão da moda – não passará.

Mantenho desde 2014 uma página no facebook chamada: Tenho mais livros que amigos. Uma forma de dividir o que leio e o que penso valer a pena ler. Em meio a tantos blogs e vlogs sobre a literatura e seu principal objeto, a página não se enquadra exatamente no que o grande público aprecia como leitura. Naturalmente tem poucas curtidas e, apesar do nome, pouca popularidade no meio.

No dia 07 de janeiro de 2016, recebi um email de uma editora informando que nesta data se comemora o dia do leitor. Percorri vários sites e percebi uma repetição no estilo de publicação sobre este dia. Letras gordas (como diria um conhecido meu), brilhos, fotos de prateleiras, pequenas piadas. Feito um loop programado para mudar a cor e detalhes, de resto tudo da mesma forma. Quando as fotos mostravam pessoas, eram sempre brancas. Procurei criar alguma diferença na publicação da ‘Tenho mais amigos que livros’.

Digitei no google imagens: Leitor negro. Fui rolando a página até que desisti. Leitores de ebook na cor preta (o que me leva a crer que existe a opção branca), uma mulher mostrando a bíblia para uma criança, algumas poucas personalidades e mais nada. Não há nenhuma foto de pessoa negra lendo mediante esta pesquisa. Tentei então: Negro lendo. Surgiram quase 10 fotos, nenhuma com boa qualidade fotográfica para o meu gosto. … : Black Reading. Só então encontrei esta foto, dentre muitas de boa qualidade, que finalmente chamou minha atenção

negro_lendo

Parece que o leitor negro está no idioma inglês, Black People Reading Books: um festival de fotos incríveis e um desconforto na minha publicação. Uma simples pesquisa se transformou em reflexões que me acompanharam todo o dia, e seguem aqui comigo. (até uma conversa com minha mulher e a decisão de escrever a respeito) Quem são os leitores brasileiros? Porque é tão difícil encontrar fotos de negros brasileiros lendo? Estão do lado de fora da biblioteca? O que estão escrevendo? Ler é um privilégio?

Um dia depois outro episódio relevante pulou no meu olho.

Comecei a ler Cidade Aberto do escritor Teju Cole. Uma leitura detalhada que trata da visão de um nigeriano num frequente ciclo de descoberta e adaptação ao efêmero da cidade. (especificamente Nova Iorque – gosto de escrever assim) No livro ele cutuca cada vértebra da cidade, tudo atrai o olhar plástico e profundamente intelectual do personagem Julius. Passados alguns capítulos digitei, por curiosidade, Teju Cole no google imagens. O resultado foi este:

teju

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